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  • Samantha Capatti

Ideias eternas nas coisas transitórias

Updated: Dec 19, 2019

Estava aqui organizando alguns trabalhos e encontrei um texto de uns 11 anos atrás, que escrevi para a disciplina de filosofia, quando cursava Design Gráfico - Comunicação Visual. Foi uma interpretação minha da terceira parte do livro “O Mundo como Vontade e Representação” do Schopenhauer.


Reler este texto foi muito gostoso pois me relembrou o quanto ele fazia sentido para mim. Mas o mais interessante foi perceber que esse assunto que mexeu tanto comigo no passado ainda está aceso dentro de mim depois de todos esses anos.


Vejo a minha relação com a tecelagem expressa neste texto que escrevi a 11 anos atrás, quando ainda nem sonhava em ser tecelã.


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Estudo da Terceira Parte do Livro

“O Mundo Como Vontade e Representação”

Arthur Schopenhauer


Na visão do mundo como objetividade da vontade, a vontade é considerada a

coisa-em-si (Kant), a substância, essência do mundo. A vida é o mundo visível, o mundo dos fenômenos, o mundo onde as ideias são objetivadas, onde a vontade é manifestada. A representação é a própria manifestação da vontade. A natureza é a vontade de viver objetivada. E onde a liberdade é a negação de toda e qualquer vontade.


A ciência procura respostas através da incessante e instável corrente de ralações entre causa e conseqüência. Não há um estado de plena satisfação, a cada objetivo conquistado há mais uma série de relações que te impedem a atingir um ponto, cada meta atingida é continuamente forçada para frente. Ficamos então presos ao nosso querer que nunca se sacia. O querer se origina da necessidade, portanto, da carência, do sofrimento. Enquanto nossa consciência for tomada pela nossa vontade, não possuiremos bem-estar, tranqüilidade nem repouso permanente.


A arte ao contrário da ciência isola um objeto à sua frente “conhece as ideias eternas nas coisas transitórias”, ela corta a vida movida pela razão em um ponto e torna esse ponto um objeto de contemplação até que o sujeito se torne puro do conhecimento e que o objeto se transforme em idéia pura.


Por um estímulo exterior, ou uma disposição interior nossa consciência desperta para a intuição e rejeita toda a vontade, toda expressão infinita do querer, “libertando o conhecimento do serviço da vontade”. Consequentemente compreendemos as coisas como livres de vontades. Nos abandonamos a elas enquanto representações e não enquanto cadeia de relações. Há uma perda de toda individualidade, nos perdemos no objeto em uma contemplação pura, nos guiando somente pela intuição. Assim elevamos o objeto à idéia de sua espécie, e o indivíduo cognoscente ao sujeito do puro conhecimento.


Assim esse sujeito abandonando a razão e todas as suas relações e se entregando ao puro espírito e à sua intuição e se torna um sujeito gênio. Porém essa genialidade é considerada um estado de espírito e não uma condição permanente. Logo o sujeito gênio abandonado de todas as relações se estabiliza até um determinado tempo em sujeito puro do conhecimento. Ele exterioriza-se momentaneamente de sua personalidade.


A diferença entre o gênio e os homens no qual esta faculdade é mais reduzida é somente o fato de que o gênio possui um grau muito superior e uma persistência muito maior na experiência de conhecer através das ideias. Fato que traz a vantagem de ter a concentração e a reflexão requirida para reproduzir em uma obra de arte a idéia do objeto a ser conhecido.


A arte é então a idéia refletida e objetivada que o artista, ou homem gênio, capta, durante a reflexão em seu estado de desapego do mundo da razão. Através dela, ele comunica a idéia apreendida. Esta permanece inalterada.


O prazer estético pode ser considerado essencialmente único em qualquer sentido, seja por meio da obra de arte, seja por uma intuição direta da natureza pois a idéia apreendida permanece sempre a mesma. O artista, através da contemplação, capta a essência do objeto transpondo sua ideia que essencialmente é a mesma.


Samantha Capatti Bezerra

Detachment from the reason world

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